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Evento
Multidisciplinar discute assuntos
Além
das palestras sobre Antártica, Cronobiologia, influência da mídia na
organização do espaço
Galeria de fotos desta
notícia 1 - IV Evento Multidisciplinar - Dia 1 |
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De 14 a 18 de
setembro, foi realizada a quarta edição do Evento
Multidisciplinar, que é a semana de estudos organizada de forma
integrada entre os colegiados de Ciências/Biologia e Geografia
da Fafijan (Faculdade de Jandaia do Sul). Este ano, o evento
teve como tema: “As alterações ambientais e a crise mundial”.
Participaram da sessão solene de abertura, o vice-diretor da
Instituição, Dirceu Cleber Conde; a coordenadora de ensino,
Maria Gertrudes Gonçalves de Sousa Guimarães; a
vice-coordenadora do curso de Geografia, Helena Tochiko Assaka;
a coordenadora e o vice-coordenador de Ciências/Biologia, Nilza
de Lucas Rodrigues Bittencourt e Jorge Takasusuki. Conde
destacou que a preocupação com assuntos relacionados a questões
ambientais e sociais, presentes na programação do Evento, vêm ao
encontro dos princípios da Instituição. Desejou a todos os
participantes, bom aproveitamento dos conteúdos abordados:
“Que promovam em vocês, mudanças positivas de pensamento, e que
essas mudanças se reflitam na prática pessoal e profissional de
cada um.” Ainda na abertura do Evento, houve a apresentação do
Cor
Da esquerda para a
direita: Helena,
Após as solenidades, a professora doutora Patricia Myuchi Machado Ayoama, da FIO (Faculdades Integradas de Ourinhos), palestrou sobre a Antártica (ou Antártida, tanto faz, já que qualquer um dos termos é correto, segundo ela). O discurso de Patricia foi baseado em experiência própria, já que ela participou da 19ª Operação Antártica, realizada de janeiro a março de 2001. “Foram 50 dias de permanência na Estação Comandante Ferraz”, comentou, explicando que essa é a estação brasileira situada na Baía do Almirantado, ilha do Rei George, no Arquipélago Shetlands do Sul - Antártica. Patricia contou que desde a implantação dessa estação, em fevereiro de 1984, até os dias de hoje, muitas melhorias e ampliações foram feitas, a fim de atender a um maior número de pesquisadores, que têm em comum o objetivo de expandir o conhecimento científico sobre os fenômenos ambientais antárticos e suas influências globais. A estação conta, atualmente, com 63 módulos, onde ficam os alojamentos, sala de estar, academia, cozinha, biblioteca, laboratórios, oficinas, enfermaria, paióis, sala de comunicações, heliponto. É capaz de abrigar 40 pessoas, entre elas o Grupo-Base, composto por três oficiais (chefe, subchefe e médico) e sete praças (sargentos e cabos) da Marinha do Brasil, que ficam um ano no continente, exercendo funções específicas: encarregado de eletricidade, encarregado de motores e lancha, encarregado de viaturas e tratorista, encarregado de eletrônica, encarregado de comunicações, encarregado das embarcações e cozinheiro. Também fazem parte do Grupo-Base um grupo de manutenção formado, principalmente, por funcionários e engenheiros do Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro, responsáveis por executar serviços de manutenção de mais monta e obras de ampliação. Vale ressaltar que informações como essas e outras curiosidades podem ser encontradas na página virtual do Proantar (http://www.mar.mil.br/secirm/proantar.htm), onde, além de toda a história do Programa Antártico Brasileiro, é possível visualizar fotos desse continente de 14 milhões de quilômetros quadrados (cerca de 95% é gelo), em que a menor temperatura já registrada na história foi de - 89,2ºC, na Estação Vostok (ex-URSS), em 21 de julho de 1983.
Na Antártica,
Patricia participou do projeto “Estudo das relações
parasita–hospedeiro nos peixes antárticos na Baía do
Almirantado”, sob coordenação do professor doutor Benjamin
Eurico Malucelli, da Faculdade de Medicina Veterinária e
Zootecnia da Universidade de São Paulo. Patricia destacou que
fazer pesquisas na Antártica não é algo que se decide em um dia
e se realiza no outro. “Primeiro, porque o projeto precisa ser
aprovado. Segundo, porque só vão duas pessoas de cada projeto
por vez. Terceiro, porque é preciso passar antes por um
Treinamento Pré-Antártico, feito no Rio de Janeiro”, listou. No
caso dela, o item sorte também foi importante. “Eu estava
desenvolvendo minha tese de doutorado sobre parasitas de
tucunarés do Rio Paraná e fui apresentá-la em um congresso que
tinha como tema: patologia de organismos aquáticos. Foi quando
caiu do céu uma curitibana chamada Ana Cristina, que ao ler o
caderno de resumos da programação do encontro, interessou-se
pelo meu tema e foi falar comigo. Por coincidência, ela também
estava produzindo a tese de doutorado dela sobre tucunarés. A
abordagem, contudo, era diferenciada. Enquanto a minha pesquisa
era voltada aos parasitas, a dela era voltada à parte sangüínea
do peixe”, descreveu Patricia. Da conversa, surgiu a
oportunidade das duas se conhecerem melhor, pois a partir
daquele dia, passaram a fazer coletas juntas no Rio Paraná,
dividindo assim as despesas com combustível, pescador, comida.
“Conversa vai, conversa vem, fiquei sabendo que a Ana Cristina
já havia estado cinco vezes na Antártica, participando de um
projeto do curso de Veterinária da USP, onde ela fazia o
doutorado. Um dia, ela me convidou para integrar a essa
pesquisa”, lembrou Patricia, que, a princípio, não deu uma
resposta. “Tinha acabado de me casar, até então nunca havia
estudado peixe de água salgada, nunca tinha nem sonhado em ir à
Antártica.” Foi quando Ana Cristina alertou-a que, participando
do projeto não significaria necessariamente que a pesquisadora
teria de se deslocar par
Patricia dividiu com
os participantes do evento
E Patricia foi. “Durante uma semana ficamos na Ilha da Marambaia, Rio de Janeiro. Chegando lá, tem uma placa enorme, que assusta logo de cara, com os seguintes dizeres: ‘Centro de Adestramento’. Não vou dizer que é uma semana fácil, todos os horários são preenchidos com alguma atividade, o que inclui limpeza do alojamento, apresentação dos projetos, palestras, dinâmicas de grupo, curso de orientação e navegação terrestre, aulas práticas de primeiros socorros, de descer, subir e ligar o motor de um bote, de remar, de nadar em mar aberto, enfim, tudo para que a gente tenha noção de como se comportar na Antártica”, resumiu a pesquisadora, que voltou para casa sentindo-se vitoriosa após ter passado por essa “prova de fogo”. “Pouco tempo depois, Ana Cristina me liga, dizendo se eu não poderia substituí-la na próxima expedição para a Antártica. Aceitei”, contou Patricia. A preparação começou com um check up médico completo obrigatório. “No dia da viagem, todos se reúnem no Rio de Janeiro, onde um avião da FAB [Força Aérea Brasileira] aguarda os tripulantes, no Aeroporto Galeão Velho. Do Rio, nós partimos para Porto Alegre, onde pegamos as roupas e os acessórios de frio que serão utilizados na Antártica. Tudo é emprestado por uma universidade do Rio Grande do Sul. Depois, seguimos para Punta Arenas, no Chile, onde permanecemos até o tempo colaborar para que o avião da FAB possa voar com segurança até o destino final: Antártica”, detalhou Patricia.
Cronobiologia No segundo dia do Evento, houve a apresentação dos trabalhos científicos na área de Geografia. Em 2009, dez trabalhos foram inscritos, com temas bastante diferenciados, entre os quais: “Qualificação e Quantificação da Vinhaça”; “O outro lado da história – povos indígenas”; e “Conscientização e destino correto dos resíduos sólidos na cidade de Cruzmaltina”. No dia 15 de setembro, foi proferida também, no Anfiteatro da Fafijan, a palestra sobre Cronobiologia, ministrada pelo professor Ricardo de Melo Germano, da Unipar (Universidade Paranaense), campus de Paranavaí. Germano iniciou dizendo que a Cronobiologia é uma ciência nova, que data do século 18, época em que algumas inferências começaram a chamar a atenção de pesquisadores, que queriam sair um pouquinho daquela definição de que o organismo vivo tem uma dependência muito grande do ambiente para viver. “O ambiente, de fato, exerce influência sobre o ser vivo, aprendemos isso desde pequenos com a Biologia. Mas isso não pode explicar, de maneira única, todo o funcionamento biológico que existe”, adiantou o palestrante. Os primeiros estudos nesse sentido foram realizados pelo cientista francês Jacques d’ Ortous de Mairan, que observou durante um tempo a planta mimosa pudica. “Aquela plantinha que, ao tocá-la, reage fechando as folhas”, comentou. “Não acreditando que a planta respondia exclusivamente ao toque e aos tipos de alterações ambientais, como excesso de sol, vento ou escuridão, Mairan pegou um exemplar dessa planta e o levou para o sótão da sua casa. Lacrou todas as janelas, todas as portas que havia, fechou-se lá dentro e começou a analisá-la. Para a surpresa do pesquisador, no mesmo horário que normalmente em ambiente natural as folhas da mimosa se fecham [acreditando-se até então que por motivos externos], elas se fecharam dentro do sótão. Repetiu a experiência por várias vezes e por várias vezes ele não foi levado a sério pela Real Academia de Ciências da França, órgão que, na época, era responsável por aprovar ou não uma descoberta. Quase ‘mataram’ o ‘coitado’ com perguntas e suspeitas, do tipo: ‘deve ter entrado luz em alguma fresta no sótão, e você fica aí falando, que, na verdade, ela respondeu a estímulos que não existem. Você está tirando isso da sua cabeça’”, diziam os avaliadores. Mairan com esse experimento queria provar duas coisas: que havia uma persistência dos ritmos fisiológicos e comportamentais, independentemente de luminosidade; e que essa constância era movida por algum mecanismo ainda desconhecido dentro da planta. “Ele não podia falar em mecanismo genético, porque genética ainda não existia. Então, denominou-o de mecanismo endógeno”, afirmou o professor. Somente no século 20 o estudo iniciado por Mairan foi aceito como sendo uma ciência dentro do ramo das ciências biológicas, conhecida como Cronobiologia. “Uma definição bem básica seria: tempo biológico. É a recorrência em intervalos regulares de eventos bioquímicos, fisiológicos e comportamentais nos organismos vivos, que são determinados geneticamente e não simplesmente resultados de eventos externos, ambientais. Por exemplo: ‘Hoje choveu, então, o meu hormônio não vai ser produzido’. Não é bem assim. Nós temos um marcador dentro do nosso corpo. No caso dos hormônios, a maioria deles tem decorrência diária, ou seja, nós temos picos de secreção de determinados hormônios em determinados períodos do dia, faça chuva ou faça sol”, explicou o palestrante. Nesse caso, de decorrências diárias, fazem parte os eventos de ritmo circadiano, que oscilam de 21 a 27 horas. “Um exemplo é a produção de melatonina, que é produzida todos os dias, no final da tarde. E o cortisol, lá pelas quatro, cinco horas da manhã.” Há também os eventos de ritmo ultradianos, menores de 21 horas, no qual freqüência cardíaca, freqüência respiratória, movimentos peristálticos intestinais estão inseridos. Por fim, o ritmo infradiano, que engloba eventos que se repetem em uma periodicidade maior que vinte e oito horas, em que fazem parte o ciclo menstrual da mulher, a produção de células sangüíneas, entre outros.
Influência do rádio na organização do espaço No terceiro dia, a apresentação foi dos trabalhos científicos no campo da Biologia. Houve também palestra sobre A influência do rádio na organização do espaço, assunto abordado pela professora Marli Shlosser, da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná). No terceiro dia do evento, foi realizada a apresentação de painéis e materiais didáticos. Formas criativas de dar destino ao lixo reciclável produzido no dia-a-dia e ao próprio óleo de cozinha, tão prejudicial ao meio ambiente, foram algumas das propostas que os acadêmicos levaram ao público.
Meio Ambiente Para dar encerramento ao quarto Evento Multidisciplinar, o secretário do Meio Ambiente de Apucarana, João Batista Beltrame, mais conhecido como Joba, foi convidado para alertar os participantes sobre a importância de uma mudança significativa de comportamento, de revisão de valores e de posturas, como o consumismo – característico da sociedade capitalista – para minimizar os problemas ambientais. “Vamos continuar consumindo mais do que podemos recuperar?”, refletiu. “Chega de romantismo em relação às questões ambientais.” Também no último dia, a organização contou com a participação do Grupo de Teatro da Fafiman (Faculdade Filosofia Ciências e Letras de Mandaguari), que subiu aos palcos e encenou “Um hospital muito louco”. A peça retrata a situação tensa que a sociedade vivenciou, este ano, em relação à Gripe A (H1N1), usando o humor como forma de crítica e alerta. Prestigiou a apresentação, o diretor da Fafiman, Ivan Carlos de Moraes, que assistiu à peça na primeira fila, ao lado do vice-diretor da Fafijan. Após a apresentação, foram divulgados os nomes dos vencedores do concurso de fotografia, que teve como tema: “Meio Ambiente e Sociedade”. Em terceiro lugar, ficou Ramon Barbosa, do curso de Geografia. Em segundo lugar, Wesley Aparecido Ronqui, de Ciências/Biologia. E, em primeiro lugar, Vandré Benedito dos Santos, de Geografia.
Ramon, Wesley e
Vandré foram os vencedores do concurso de fotografia deste ano,
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