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“Minha turminha da rua” será publicado pela editora All Print, de São Paulo, e para a primeira edição serão impressos 1.000 exemplares

“Minha turminha da rua” será publicado pela editora All Print, de São Paulo, e para a primeira edição serão impressos 1.000 exemplares

Publicado em 04 | 04 | 2012 às 22:11

“Minha turminha da rua” é o primeiro livro escrito pelo egresso da Fafijan, Ariel Miranda Medeiros

Ele se formou em 2006, no curso de Ciências Biológicas

Texto por: imprensa@fafijan.br | Fotos por: Divulgação

Ariel Miranda Medeiros, de Telêmaco Borba (PR), se formou em Ciências Biológicas pela Fafijan (Faculdade de Jandaia do Sul) no ano de 2006. Três anos depois, fez especialização em Educação Especial; foi quando teve a ideia de escrever um livro para o público infantil.
“Minha turminha da rua” está em fase de acabamento. Com 20 páginas e ilustrações de Paulo Regelio, a obra aborda o tema preconceito, “principalmente o que existe contra as pessoas com deficiência, obesidade e afrodescendentes”, explica ele. “O preconceito nasce pelo fato de não conhecermos as outras pessoas, porque a partir do momento em que nos aproximamos delas, vemos que aquilo que tínhamos em mente não tem nada a ver com a realidade”, ressalta Ariel. Após os estudos na área, o egresso conta que passou a olhar para as pessoas com necessidades especiais com mais sensibilidade e reconhecimento; “passei a levar em consideração a capacidade e a habilidade que cada indivíduo possui dentro de suas limitações”, afirma o escritor.
O lançamento de “Minha turminha da rua” irá ocorrer em Telêmaco Borba, cidade onde o autor nasceu e ainda reside, mas não há data definida. Será publicado pela editora All Print, de São Paulo, e para a primeira edição serão impressos 1.000 exemplares, que serão vendidos a R$ 10 cada. Para mais informações, basta entrar em contato com o autor pelo e-mail: arielmirandamedeiros@ibest.com.br.

Fafijan
São muitas as histórias que Ariel Miranda Medeiros, 30 anos, vivenciou de 2003 a 2006, período em que estudou na Fafijan (Faculdade de Jandaia do Sul). Ele, natural de Telêmaco Borba, mudou-se para Jandaia do Sul no primeiro ano do curso de Ciências Biológicas, onde ficou hospedado próximo à Instituição, na pensão da Dona Rose. Em 2004, a situação teve de se modificar um pouquinho. No início do ano, fez a inscrição do PSS (Processo Seletivo Simplificado) do Paraná para trabalhar como professor do estado. Seis meses depois, foi convocado para lecionar no Colégio Estadual Presidente Tancredo Neves, em Imbaú (município distante 27 quilômetros de Telêmaco Borba). Retornou, então, à cidade natal, e a loucura para manter os estudos começou. “Às 15 horas, deixava o meu carro no colégio e me dirigia à rodovia para pegar carona até Ortigueira, de onde saía e, pelo que sei, ainda sai, ônibus com estudantes para Jandaia do Sul”, lembra o egresso. Até Ortigueira, eram mais 32 quilômetros a serem percorridos. Até Jandaia do Sul, mais 97 quilômetros.
No acostamento, ele segurava uma plaquinha em que, de um lado, estava escrito ESTUDANTE ORTIGUEIRA e, atrás, ESTUDANTE IMBAÚ, pois na volta, o trajeto era o inverso. “Às vezes, mesmo com provas e trabalhos para entregar eu não conseguia carona e tinha de voltar para casa, frustrado. Quando conseguia, chegava a Ortigueira cansado e dormia um pouco no banco da praça até o ônibus partir. As pessoas que não me conheciam olhavam desconfiadas, passavam longe, pensando tratar-se de um mendigo”, recorda-se ele. Na sala de aula, o inimigo a ser enfrentado era o cansaço e o que mais o incomodava era a falta que o banho fazia.
Se a ida era complicada, a volta era mais ainda: chegava a Ortigueira perto de 1 hora da manhã. Nesse horário, encontrar uma alma caridosa à beira da estrada ficava ainda mais difícil. “Já fiquei até as três, quatro, cinco horas da manhã à espera de carona. Às vezes, jogava água no corpo, em um posto próximo, e me enxugava com a própria roupa, fingindo tomar banho”, comenta ele.
Um dia, saindo de Imbaú e voltando para Telêmaco Borba, dormiu ao volante e se acidentou. “Foi no último ano do curso, fiquei uma semana sem ir às aulas devido aos ferimentos.” Diante de tamanho esforço, a formatura foi um dia extremamente especial. “A sensação foi de ter vencido um enorme obstáculo e de ter subido um degrau importante em minha vida”, resume o egresso. A escolha da Fafijan foi por influência da mãe dele, que se formou em Jandaia do Sul no ano de 1996: “Também em Ciências Biológicas”, ressalta Ariel.
Hoje, ele leciona a disciplina de Ciências para o ensino fundamental e de Biologia para o ensino médio, no mesmo colégio onde iniciou a profissão há nove anos.