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Sandra, durante uma dinâmica: “Quando tudo está funcionando bem, pouco ou nenhuma atenção damos a nossa voz”

Sandra, durante uma dinâmica: “Quando tudo está funcionando bem, pouco ou nenhuma atenção damos a nossa voz”

Publicado em 05 | 04 | 2011 às 14:03

Palestra sobre o uso correto da voz deu início a VII Call

Fonoaudióloga Sandra Regina Alves Molina ensinou aos participantes exercícios de aquecimento vocal e de ressonância, ressaltando os cuidados necessários para evitar problemas futuros, como o surgimento de nódulos ou pólipos na laringe

Texto por: imprensa@fafijan.br | Fotos por: Assessoria de Imprensa Fafijan

Na noite de quarta-feira, 30 de março, foi realizada no Anfiteatro da Fafijan (Faculdade de Jandaia do Sul), a abertura da VII Call (Conferências de Aperfeiçoamento em Línguas e Literatura). Estiveram presentes na cerimônia, a diretora da Instituição, professora Maria Gertrudes Gonçalves de Sousa Guimarães, e o vice-diretor, professor doutor Jorge Dovhepoly. “Aproveitem essas ocasiões para trocar experiências, não apenas com os palestrantes, mas com os professores, com os acadêmicos de outras instituições, de outros períodos e também de outros cursos. Não podemos esquecer que, dentro da faculdade, temos a oportunidade de aprender o tempo todo, por meio dessas relações”, comentou a diretora.
O tema da primeira conferência do evento foi “O uso correto da voz”, ministrada pela fonoaudióloga Sandra Regina Alves Molina, que, atualmente, atua e mora em Maringá. Ela começou conceituando o que é voz – som produzido pelas cordas vocais – e descreveu o processo que é necessário para que ocorra, a princípio, a fala. “O ar que sai dos pulmões percorre os brônquios e a traquéia. Chegando à laringe, os músculos se contraem, regulando a passagem do ar. Os movimentos fazem com que as cordas vocais vibrem e produzam sons. Chegando à boca, o som laringiano é articulado graças à ação da língua, dos lábios, dos dentes, do véu palatino e do assoalho da boca”, disse Sandra.
Processo complexo, que depende de uma anatomia e uma fisiologia adequadas, em perfeito estado e funcionamento. E, posteriormente, de cuidados específicos para manter a qualidade da voz. “Entretanto, quando tudo está funcionando bem, pouco ou nenhuma atenção damos a ela. Temos a mania de crer que a nossa voz é eterna e imutável”, comentou a palestrante. Segundo Sandra, é cada vez mais comum, profissionais que se utilizam da voz como ferramenta de trabalho – professores, radialistas, jornalistas, cantores, atores, operadores de telemarketing e outros – aparecerem nos consultórios de Fonoaudiologia, encaminhados por um médico especializado, com algum tipo de alteração na voz. “Os principais sintomas apresentados, nesses casos, são: disfonia [rouquidão], afonia [perda total da voz], fadiga vocal ou modificações percebidas na tonalidade, com características e intensidades variáveis.” Sandra lembrou que a rouquidão que persiste por mais de 15 dias, por exemplo, exige a procura por um otorrinolaringologista. “Afinal, pode caracterizar laringite, lesões benignas das cordas vocais, utilização incorreta da voz e até mesmo câncer”, explicou. “É esse especialista que irá fazer o diagnóstico e dizer se o paciente precisará ou não de acompanhamento com fonoaudiólogo.”
Para o público da sétima edição da Call – a maioria, estudantes de licenciatura, futuros professores – o conselho deixado por Sandra foi: cuidem-se. “Há um programa na área de Fonoaudiologia, da Prefeitura Municipal de Curitiba, que existe só para o atendimento de docentes, tamanho é o problema”, destacou. Para a fonoaudióloga, falta a essas pessoas, que trabalham diariamente com a voz, o conhecimento sobre a higienização vocal. “Fazendo uma comparação: um fotógrafo tem a sua máquina fotográfica. É com esse instrumento que ele trabalha e tira o seu sustento. Para isso, ele precisa cuidar bem dela, não deixá-la exposta ao sol ou à chuva, limpar a lente, realizar manutenções. Caso contrário, antes do previsto, a máquina poderá estragar. O mesmo ocorre, no caso de vocês, em se tratando da voz. É preciso zelo e responsabilidade. O quanto antes, melhor.”
Quais são, então, os cuidados que devem ter essas pessoas? “Beber no mínimo dois litros de água por dia, em temperatura ambiente; evitar qualquer tipo de competição sonora, como tentar conversar, gritando, em um local ruidoso. Não tossir nem pigarrear. Sempre que algo incomodar a garganta, tomar goles de água. Não ingerir bebidas alcoólicas e balas ou pastilhas fortes, pois provocam a sensação de amortecimento das cordas vocais, o que só reforçará o abuso da mesma; não fumar; evitar o uso do ar condicionado, porque tira a umidade do ambiente; usar roupas extremamente confortáveis; manter boa postura; e a respiração adequada [diafragmática]”, citou a fonoaudióloga algumas precauções.
A coordenadora do Colegiado de Letras da Fafijan, responsável pela organização da Call, professora doutora Rosi Sena, considerou extremamente relevante a palestra de Sandra. E lembrou que, durante dois anos, esteve afastada das salas de aula por problemas nas cordas vocais. “Orientar os nossos estudantes de licenciatura e as pessoas da comunidade a maneira correta de se utilizar a voz, é uma forma de estarmos evitando que novos casos, como pelo o que eu passei, tornem-se comuns.” Antes de se despedir, Sandra ensinou aos participantes exercícios de aquecimento vocal e de ressonância. “É como o aquecimento físico para os atletas, pode evitar algumas lesões”, comparou.